quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Noticias do mundo de ca

Hebron
Nos ultimos dias confesso que estava com um pouco de preguica de escrever aqui. Estou viajando ha quase trinta dias, ne? Mas de qualquer forma nao vou deixar de registrar a minha viagem, ainda mais agora que estou na reta final -- a contagem regressiva esta em seis dias.

Na segunda-feira, como ja escrevi rapidamente dois posts atras, fui acompanhar alguns trabalhos do Comite Internacional da Cruz Vermelha em Hebron, cidade mais conflituosa da Cisjordania -- area ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O que faz de Hebron um caso excepcional de conflito e que os assentamentos israelenses estao literalmente enfiados no meio do territorio palestino. Por exemplo -- visitei Wadi Al-Ghrouz, um vale cercado pelos assentamentos de Givat Harsina e Kiryat Arba, o que significa que as estradas estao bloqueadas para os palestinos por questoes de seguranca.

Nao so as estradas sao proibidas para os palestinos -- conversei com um morador cujas arvores estao em uma buffer zone, cinturao de seguranca em volta de um dos assentamentos. Ele nao pode colher suas frutas e assiste dia apos dia as suas frutas apodrecerem ou serem colhidas por colonos.

Eu estava la em Hebron acompanhado de outro jornalista, o norte-americano Shabtai, da agencia de noticias da ONU. Foi uma experiencia bacana conversar com ele, ja que ele mora ha seis anos na regiao e aprendeu, nas ruas, a falar hebraico e arabe.

Agora, as historias deste dia prefiro que voces leiam quando minha materia for publicada. Eu aviso voces e coloco o link aqui no blog assim que possivel.

Tel-Aviv

Voltei para Tel-Aviv, e estar aqui e sempre um desafio para mim. Nao posso me esconder por detras de ruinas arqueologicas ou de fatos historicos, mas preciso experimentar esta cidade de menos de 100 anos de idade.

Mas estou aprendendo a gostar daqui. Como o Yuval disse no almoco de ontem -- comemos em um restaurante etiope --, Tel-Aviv e uma cidade excepcional, apesar de nao ser unica, como Jerusalem.

Excepcional e um bom adjetivo para descrever a rua Allenby, com seus sebos, ou a movimentava rua Dizengoff, ponto de encontro de jovens. Ou as praias repletas de surfistas em que, de manha, os mais saudaveis praticam ioga. E o mercado de Jaffa, com velhos israelenses jogando cartas em mesas improvisadas na rua, ou o mercado de Carmel repletos de frutas e roupas baratas.

Ontem jantei com a Diana, argentina de 21 anos que estuda sociologia em Buenos Aires. Ela veio para Israel com o programa de Birthright, que traz descendentes de judeus ao pais. Sua mae e catolica e seu pai e judeu, mas ela nao recebeu comunhao e nem comemorou o bar-mitzvah -- se sente sem religiao e nao sabe o que pensar sobre Deus. Acha que, a essa altura da vida, ja deveria ter uma resposta a respeito da questao -- eu acho que, pelo contrario, e maravilhoso que ela ainda esteja em duvida.

Hoje tomei sol, lavei minhas roupas e comprei mais um livro. Pensei em ir, a tarde, ate o museu de artes de Israel, mas estou com preguica de sair do albergue neste sol. Meu corpo ja esta entrando o ritmo da volta ao Brasil, imagino, e perdeu a paciencia de passar o dia inteiro andando de um lado para o outro. Bom.

Um comentário:

Unknown disse...

Duvido que você consiga ter outra experiencia de vida como esta, considerando todos os fatores como, sua idade, locais visitados, estar só, ser sua primeira viagem solitaria....muito bom!
O tempo passou rapido, estou curioso para saber mais detalhes, ver as fotos (alias, por que não esta colocando?)...bla...bla...bla