terça-feira, 29 de julho de 2008

Em Tel-Aviv

Jornada
De Wadi Musa a Aqaba, na fronteira com a Jordania, foram 3h. Depois, cruzei a fronteira com a Joanna e a Ruth e consegui trocar meu ticket para Tel-Aviv, partindo imediatamente no onibus das 11h. As 16h30 cheguei ao albergue, fiz o check-in e sai para dar uma volta. Continuo surpreso com a calma e pequenez desta cidade que e o suposto centro moderno do Oriente Medio -- e decidi que logo que voltar ao Brasil eu vou passar um final de semana no Rio de Janeiro para me lembrar do que e uma praia de verdade.

De qualquer forma, estou feliz por estar em uma cidade facil, em que consigo encontrar internet, bares, cinemas e pessoas. Hoje devo assistir a um bom filme e beber cerveja na praia. Depois, vou voltar para o albergue e tentar arranjar companhia para os proximos dias -- meu plano e ficar aqui ate domingo, ja que Tel-Aviv e o lugar menos afetado pelo shabbath em Israel, e eu odeio quando as coisas fecham.

Amanha, a boa noticia e a chegada da Delphine, mesmo que seja por um dia so. Quero muito saber como foi o trabalho voluntario, no norte do pais. E tenho muita coisa para contar, tambem.

Movimento
Agora que estou longe de casa por 20 dias, estou comecando a entender melhor -- pelo menos um pouco -- o tema da viagem, tao caro a literatura e ao cinema. Fico pensando no Odisseu vagando pelo mundo sem telefone ou internet, sem noticias de casa e sem data para voltar.

Depois, me lembro dos filmes que, quando assisti, me trouxeram uma tristeza que, ate agora, eu nao sabia muito bem onde doia. Por exemplo, Encontros e Desencontros -- so de pensar no Bill Murray sozinho no Japao me da um aperto na garganta. Ou os recentes Na Natureza Selvagem e Um Beijo Roubado.

Queria entender por que, afinal, precisamos sair de casa, nos mover. Para onde queremos ir? Do que estamos fugindo? Por que temos pressa?

Cactus
As pessoas dizem que o israelense e como um cactus -- espinhento por fora, doce por dentro. Mas eu, por enquanto, nao observei nada que distinguisse os israelenses dos habitantes dos outros paises. Por todos os lugares em que estive as pessoas variavam entre mau e bom humor tanto quanto no Brasil ou qualquer lugar.

Border crossing
Mas talvez os espinhos estejam mais evidentes nas fronteiras do pais. Quando cruzei do Egito para Israel ou da Jordania para Israel tive que passar pelos famosos questionarios repetitivos. Em cada uma das vezes, respondi a pelo menos tres pessoas diferentes porque eu estava entrando em Israel. "Turismo" era a resposta padrao. Depois, precisei dar informacoes sobre as cidades que visitei e quero visitar, dizer se conheco alguem no pais, de onde conheco, quais sao seus nomes, etc etc etc, ate ser finalmente liberado.

Quando a direcao era a contraria (de Israel para o Egito e de Israel para a Jordania), fui bem recebido por militares que me perguntaram se eu gosto de futebol.

4 comentários:

Teresa Van Acker disse...

Diogo,

Parabéns!!! Você deu um tremendo salto nesses dias em que, em viagem, não te acompanhei.
Você está mais solto e até mais filosófico. Estou sentindo o prazer que você está tende em descobrir a vida. Não teve nenhuma reclamação esse tempo todo.
Não vou resistir a comentar o que vc. escreveu: Acho que a gente sai de casa para encontrar a própria Casa, que é espacialmente muito menor do que o território das casas em que habitamos e, paradoxalmente, mas tem uma dimensão incomensurável que não restringe a qualquer moradia, e só se faz no encontro com muitos outros.
A viagem talvez seja o meio mais rápido de encontrar tantos outros.
Sei lá! Estou louca para experimentar isso.

sonia bercito disse...

Oi Diogo,
Além de estar filosófico, tem deixado as pessoas mais filosóficas também!
Beijos,

Unknown disse...

Só é possivel descobrir o sabor, o aroma e as cores da vida se usarmos nossos sentidos, que as vezes ficam "enferrujados" ,"travados" pela rotina. Você esta descobrindo e entendendo muitas coisas por que esta com tudo "ligado".

Boo!? disse...

Hehehe, israelenses tsundere =)